Seu Bairro: Butantã

Crescimento anunciado

Com seus mais de 350 mil habitante e uma vocação inata para o progresso, o bairro do Butantã ensaia, agora, grandes passos para a conquista de um futuro ainda mais brilhante em sua história.

O Butantã é um bairro localizado no extremo oeste da cidade de São Paulo, bem dotado quanto aos temas cultura e lazer e está bem desenvolvido no comércio e indústria, sendo privilegiado por ter bairros vizinhos oomo Pinheiros, Morumbi, Itaim e Lapa e também municípios como Qsasco e Cotia. Seu nome vem do indígena Ybitanta que significa "taipa de terra roçada", ou "terra duríssima", em alusão ao Forte Emboaçaba. O Butantã estava no caminho para o Forte Emboaçaba, antiga fortificação erguida pgloã portugueses na região no final do século 16.

Existem muito pouca documentos sobre a origem do Butantã com bairro. O que se sabe é que no século 17, os portugueses doaram a área onde hoje situa o Butantã ao Afonso Sardinha para construir a margem do rio Pinheiros um porto para escoamento da produção da região. Como Sardinha e sua esposa não tinham herdeiros, doaram suas terras à igreja de São Paulo, em 1750. Os jesuítas dividiram as terras em 19 grandes sítios, que foram posteriormente arrendados. Em 1759 os jesuítas seriam expulsos do Brasil e as terras então foram passadas para o Estado, pm 1799, Bárbara do Espírito Santo arrendou toda a área e anos mais tarde deixou-a como herança para Ana Rodrigues. Quase um século depois, em 1889, a propriedade chamada Fazenda Butantã é comprada pelo Dr. Arnaldo de Oliveira Barreto.

Em 1898, uma equipe da Secretaria Estadual da Saúde, da qual participava o médico e cientista Vital Brasil, identificou um surto epidêmico de peste bubô-nica no porto de Santos, que ameaçava alastrar-se. A urgência de um soro levou o Estado a instalar um edifício para a produção do mesmo em um local distante dg Cintra d§ oididi, E assim foi escolhida a fazenda Butantã, comprada do Dr. Arnaldo. Em fevereiro de 1901 foi inaugurado oficialmente o Instituto Seru-mtherapico, hoje Instituto Butanta. Em 1915 a Cia City iniciou a urbanização da região.

Referência no ensino

O Instituto Butanta tem uma das maiores ooleções do mundo de espécies de animais que não fazem mui­to sucesso por aí. Ao todo são 54 mil insetos e répteis que picam quando ameaçados. Mas, quem tem m§do deles não precisa se preocupar.
O centro de pesquisa biomédioa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o Butanta oferece atendimento aos acidentados por animais peçonhen­tos e um parque com áreas verdes e dois museus: o Museu Histórico, que é uma reoonstituição do primeiro laboratório onde Vital Brasil realizou auâ§ experiências científicas, e o Museu do Instituto Butanta, voltado à educação ambiental. Apesar disso, ele é mais conhe­cido pêlos serpentários e viveiros com centenas de co­bras, como as najas da África e da índia, escorpiões e aranhas.

Considerada uma das mais importantes instituições brasileiraa de ensino superior, exercendo atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária em todas as áreas do conhecimento, a Universidade de São Paulo é outro dos orgulhos do bairro do Butanta. Fundada em 1934, pelo então governador Armando de Sales Oliveira, a USP está posicionada entre as maiores uni­versidades do Brasil: é a terceira maior universidade brasileira em número de alunos, sendo a maior univer­sidade pública do País e a terceira maior da América Latina. É uma instituição pública caracterizada como autarquia, sendo mantida pelo governo do estado de São Paulo.

Preparados para o futuro

Conhecida faz pouco tempo como uma região es­sencialmente comercial, a Zona Oeste de São Paulo passa por uma fase de mudanças em sua economia, cuja base tem se dividido entre comércio e prestação de serviços. Em função disso, o Butanta cresceu muito ao longo dos últimos anos. O distrito é gigante: se­gundo dados da Secretaria Municipal de Planejamen­to Urbano (Sempla-2000), conta com uma população estimada em mala de 360 mil habitantes, distribuídos pêlos bairros de Rio Pequeno, Vila Butanta, Cidade Universitária, Vila São Francisco, Vila Pirajuçara, Vila Indiana, Jardim Rizzo, Inocoop, Jardim São Gilberto, Jardim Bonfiglioli, Jardim Matarazzo e Jardim Christe.
Contudo, na opinião dos moradores, tudo ainda é muito novo na região. Apesar de haver um crescimento considerável


Depois da ampliação, a área de vendas da Pão do Parque cresceu para 180m², reservando
espaço para revistaria e até adega de vinhos.

do setor de serviços, ainda não é possível definir ali, com precisão, qual setor da economia é o mais forte. Explica-ne: há pouooi anos, o Butantã era apenas um bairro satélite de Pinheiros. Agora é que os negócios e a expansão imobiliária começaram a fluir.

Uma das principais razões dessa transformação - e a mais explícita - é a chegada do metro na região, que tem contribuído para esse desenvolvimento repentino. Segundo dados da Distrital da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) do Butantã, só com o começo das obras, há cerca de quatro anos, 30% dos imóveis diretamente atingidos por ela tiveram aumento. E estão sendo construídos diversos prédios residenciais e de escritórios não apenas nas ruas próximai i ilã, mii até perto dq muniaíple viilnhe dê Osasoo.

Com certeza, toda esta movimentação irá aumentar o número de moradores e fluxo de pessoas na região, o que irá ajudar a reduzir substancialmente um dos problemas vivenciados por Luiz Pedro Peralta, proprietário, desde 1992, da Panificadora Corinto, na rua de mesmo nome: "Nossa padaria fica ao lado da USP e tem, como um de seus pontos fortes, o serviço de lanches e almoço para oa alunos da universidade. Só que, no início do ano, por causa das férias, o movimento costuma cair em até 60%. Tenho fé de que com o desenvolvimento do bairro em função da chegada do metro, vamos conseguir eliminar essa flutuação di clientela", diz, fazendo uma projeção do futuro.

Quem também já se preparou para a expansão do Butantã é a Panificadora Pão do Parque, da Av. Dr. Cândido Mota Filho, na Vila São Francisco. Segundo Rubens Casseihas, proprietário e diretor do Sindipan, a reforma e a ampliação da padaria era um sonho an­tigo, cuja oportunidade de se concretizar surgiu quan­do a farmácia ao lado dela encerrou iuas atividades, abrindo espaço para uma ampliação da área de ven­das da Pão do Parque de 70m2 para 180m2, incluindo espaço para revistaria e adega de vinhos: "Aproveita­mos, também, para reforçar a produtividade instalando uma nova câmara fria e trocando os fornos antigos por dois novos, investimos no treinamento e nos cursos di reciclagem dos funcionários oferecidos pelo Sindica­to e, ainda, aumentamos a variedade de nossa oferta de produtos. Com isso, estamos aptos a atender com muito mais qualidade nossos clientes tradicionais e to­dos os novos que chegarem", afirma, com um sorriso.

Contudo, como lembra Célia Fátima Borges Vioan= te, sócia-proprietária, há dois anos, da Panificadora Corifeu - Cidade dos Pães, da Av. Corifeu de Azevedo Marques, além dos esforços dos panificadores do Butantã


Luiz Pedro, da Corinto: chegada do metrô deverá aumentar o fluxo e eliminar a flutuação da clientela.


Célia da Cidade dos Pães: Butantã é muito bom para os panificadores trabalharem. Mas ainda pode melhorar muito

em aperfeiçoarem seus estabelecimentos, existe ainda, a necessidade urgente de o poder público investir na melhoria da infra-estrutura do bairro para prepará-lo para oa novoa tempos: "Infelizmente, na época das chuvas, ainda convivemos eom inunda­ções constantes. Além disso, as autoridades preci­sam melhorar o saneamento do bairro. Mas, apesar desses problemas, o Butantã é muito bom para nós, panificadores, trabalharmos P, quando essas pro­vidências forem tomadas, certamente ficará melhor ainda", apoata, confiante.

Segundo a Subprefeitura Municipal do Butantã, a atual administração de São Paulo vem dedicando especial atenção a esse assunto e, por meio de im­portantes açõee eemo mutirões de limpeza em cór­regos, bocas-de-lobo e a construção e limpeza dos "piscinões", busca minimizar sobremaneira os efeitos das enchentes. "Ao poder público realmente compe­te à administração da cidade e de todos os seus pro­blemas. Mas, a colaboração da população é de uma importância fundamental", diz em comunicado, re­comendando que oi cidadãos façam sua parte, não jogando e coibindo a ágio dos maus cidadãos que jogam detritos nas bocas de lobo e nos "piscinões", o que, muitas vezes, acaba ocasionando seu transbor-damento e, por consequência, as inundações.