Alegre expectativa

Vem aí a grande festa do ano dos panificadores e a entrega do Prêmio "Panificador do Ano 2006".

Dando continuidade a uma gostosa tradição, o Sindipan/ Aipan-SP promoverá, no dia 7 de julho, o Jantar do Panificador 2006, na sede do Clube Atlético Juventus, em São Paulo. Este ano, a festa contará com a animação da Banda Reveillon, muita música, atrações e prêmios para os convidados. Trata-se de uma excelente oportunidade de deixar de lado a correria do dia-a-dia para se divertir com a família e os amigos, num clima informal, de grande cordialidade.

O ponto alto da comemoração será, mais uma vez, a apresentação e a entrega do Prêmio "Panificador do Ano 2006" a quatro associados do Sindicato, que se destacaram, de maneira especial, ao longo de sua trajetória de vida no setor em São Paulo, ajudando a traçar seus caminhos com muito talento, competência, dedicação e criatividade.

Este ano, os escolhidos para receber, em nome de toda a categoria, o "Nobel" da Panificação entregue pelo Sindipan / Aipan-SP foram Manoel Alves Rodrigues Pereira, da Panificadora Vila Monumento; Victor Manuel Diniz, da Padaria e Confeitaria Água Viva, da Penha; Ernesto Augusto Mendes, da Euroville Padaria e Confeitaria, da Pompéia; e Guilhermina da Natividade Sonim Rodrigues, da Panificadora Sonim & Jacinto, de Embu das Artes.

A exemplo do que aconteceu em 2005, nesta edição do Jantar do Panificador também serão entregues os troféus "Empresa Parceira da Panificação e Confeitaria", como forma de agradecimento aos fornecedores e demais parceiros do setor, com quem os associados cultivaram e mantêm profundos laços de amizade. O Jantar do Panificador 2006 terá o patrocínio da Anaconda, Bunge Alimentos, Coca Cola, Fleishmann, Frigorífico Marba, Kibon, Ryco, Sara Lee, Sorvetes Nestlé e Souza Cruz.

Ouviram do Ipiranga

Apesar de serem queridos por todos por seus clientes, amigos, fornecedores e parceiros, os panificadores enfrentam grandes desafios no seu dia-a-dia de trabalho. E isso não significa só acordar cedinho, quando a cidade ainda está dormindo, para preparar o delicioso pão que, logo nas primeiras horas do dia vai dar o toque todo especial à mesa do café da manhã das pessoas.


Manoel. da Vila Monumento: desafios me levam sempre mais longe.

Essa é uma rotina que há 41 anos Manoel Alves Rodrigues Pereira, da Panificadora Vila Monumento, no Ipiranga - um dos escolhidos para receber o Prêmio "Panificador do Ano 2006" -, ama e conhece muito bem. Manoel começou aos 17 anos no ramo, pegou gosto pela coisa e nunca mais parou. "Cheguei ao Brasil em 1964, vindo direto de Ponte de Lima, em Portugal. Comecei trabalhando no Belém, mas logo depois mudei para o Ipiranga, onde montei minha primeira padaria, na Rua Bom Pastor", lembra, com saudades.

Depois que a vendeu, comprou a padaria Flor da Paulicéia, no bairro do mesmo nome, em São Bernardo do Campo. "Mas, em 1980, o Ipiranga me chamou de novo, e aqui estou com a Vila Monumento", diz.

Quando perguntado sobre quais são os atributos que considera importantes para um empresário se dar bem no setor de padarias, Manoel não hesita, e passa a fórmula, composta por três ingredientes básicos: qualidade de produto, atendimento ao cliente e treinamento constante dos funcionários. "É muito importante investir sempre nessas áreas, principalmente face ao quadro competitivo atual", ensina. "Quando comecei, tudo era mais fácil. Hoje, o custo para manter uma padaria é muito alto, incluindo os custos dos impostos e das matérias-prima. E há sempre o perigo de assaltos". Mas, segundo Manoel, nada disso tira o seu estímulo. Ao contrário, lhe serve de inventivo para seguir adiante: "Vamos reformar nossos estabelecimento até o final deste ano para melhor atender nossos clientes", revela, muito animado.

Vitória compartilhada


Victor, da Água Viva: pão e atendimento de qualidade e paixão pela Portuguesa

Há 30 anos no Brasil, também vindo de Portugal, Victor Manuel Diniz há 25 atua no negócio de Panifi­cação. Dinâmico e decidido, ingressou no setor com "a cara e a coragem", como gosta de dizer, e, o que é mais importante, com o apoio irrestrito dos amigos - entre eles, um muito especial, o Fred - e de seus irmãos Alberto, Palmira e Júlio Diniz, que ainda estão ao seu lado no comando dos negócios da Padaria e Confeitaria Água Viva, localizada no Jardim Popular, na Penha.

''Tenho muito orgulho daquilo que, juntos, cons­truímos. A Água Viva é, hoje, um ponto de encontro obrigatório das pessoas do bairro, que vêm até nosso estabelecimento por causa do pão de alta qualidade, do atendimento diferenciado e da ampla área coberta de convivência que mantemos nele, com espaço para 40 mesas", afirma Victor, outro homenageado com o Prêmio "Panificador do Ano 2006". Louco por futebol e torcedor fanático da Portuguesa, é claro. "Sou o torcedor mais feliz do mundo por ter a Portuguesa em meu coração. E faço questão de explicitar essa minha paixão em todos os detalhes de minha padaria. Para você ter uma idéia, até os saquinhos de pão daqui da Água Viva vem impressos com o escudo do time", enfatiza.


Ernesto, da Euroville: a receita do sucesso leva doses generosas
de compreensão.



Padaria planejada

"Estou 'em alfa'. Realmente, é um privilégio fantástico, algo que eu, realmente, não esperava. Estou muito honrado." Assim, Ernesto Augusto Mendes, sócio proprietário da Euroville Padaria e Confeitaria, da Pompéia, define sua emoção pela conquista do Prêmio "Panificador do Ano 2006", que irá receber no próximo dia 7 de julho, no Jantar do Panificador, no Juventus. Ernesto chegou ao Brasil, vindo de Portugal, em 1967.

Na época com 15 anos, foi morar com seu tio, que já atuava no ramo da Panificação.

Animado com os negócios e tendo se identificado completamente com o ramo, aos 20 anos comprou sua primeira padaria. E, aos 27, retomou a sociedade com o tio, seu irmão Fernando e seus primos Carlos e Roberto Simões Fernandes para abrir mais dois estabelecimentos. "Inauguramos a Euroville um pouco mais tarde, em 1998. Trata-se de uma padaria totalmente planejada para agradar os clientes, que erguemos desde chão, por meio de um projeto único, que comporta uma grande área interna", diz. Perguntado sobre qual a receita do sucesso de seu empreendimento ao lado do irmão e dos primos, Ernesto relaciona os ingredientes:
"Compreensão, união, perseverança e determinação. Só isso e isso só."

Singela receita

Guilhermina da Natividade Sonim Rodrigues é uma simpática senhora, descendente de portugueses, só­cia-proprietária da Panificadora Sonim & Jacinto, de Embu das Artes. Este seu estabelecimento existe des­de 1969. Mas sua ligação com o setor da Panificação é ainda mais antiga: remonta ao ano de 1963, quando seus pais abriram sua primeira padaria, no Largo 21 de Abril, também em Embu.


Guilhermina, da Sonim & Jacinto: união da família é o grande diferencial.

Dona Guilhermina é uma dessas mulheres que fazem toda a diferença na sociedade. Ela divide o comando da Sonim & Jacinto com seu marido Henrique Rodrigues e os filhos Luciane, Luís Henrique e Lílian, além de sua nora. Atribui o sucesso de seu negócio primeiro a Deus, depois ao amor que mantém sua família sempre unida e, na seqüência, ao sabor insuperável do pãozinho que fabrica lá, ainda num antigo forno a lenha. "Apesar do progresso que trouxe até a cidade a Feira de Arte e Artesanato aos domingos, além de muitas melhorias urbanas, Embu ainda consegue ser uma cidadezinha aconchegante e tradicional, onde todos os habitantes fixos se conhecem pelo nome. Para você ter uma idéia exata do que estou falando, ainda temos por aqui clientes de caderneta, que pagam suas despesas por mês. Com certeza, é uma coisa não muito fácil de ainda se ver por aí, não é mesmo?", indaga com um sorriso. Não, Dona Guilhermina, não é mesmo. Parabéns à senhora e aos os outros colegas escolhidos pela conquista do Prêmio "Panificador do Ano 2006"!.

As rosas de Santa Isabel

O dia 8 de julho é dia de Santa Isabel, padroeira dos panificadores. Por isso, nessa data é também comemorado o Dia do Panificador. Contase que, no ano de 1333, em Portugal, houve uma fome terrível, durante a qual nem os ricos foram poupados. Reinava, então, D. Diniz, casado com D. Isabel, uma rainha cheia de virtudes.

Para aliviar a situação de fome, ela empenhou suas jóias e mandou vir trigo de lugares distantes para abastecer o celeiro real e assim, manter seu costume de distribuir pão aos pobres durante as crises. Num desses dias de distribuição, apareceu inesperadamente o rei. Temendo a censura, ela escondeu os pães no colo. O rei percebeu o gesto e perguntou surpreso: - O que você tem aí? A rainha, erguendo o pensamento a Deus, disse, com voz trêmula: - São rosas, senhor. O rei replicou: - Rosas, em janeiro? Deixe que eu as veja e aspire seu perfume.

Santa Isabel abriu os braços e, no chão, para pasmo geral, caíram rosas frescas, perfumadas, as mais belas até então vistas. O rei Diniz não se conteve e beijou as mãos da esposa, retirando-se enquanto os pobres gritavam: Milagre, milagre! Assim conta a história do povo.