Reformar é
crescer
A modernização das padarias tornou-se uma necessidade. Entretanto,
reformar é uma decisão difícil já que exige investimento. Para
dimensionar custos e fazer um planejamento financeiro, consultar
profissionais especializados pode trazer mais segurança. No entanto,
conhecer a experiência de outros empresários também ajuda a encarar
o desafio com mais tranqüilidade.
Coragem para inovar

Área de vendasmais ampla na Pão do Parque
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Na Cruz de Aviz, visual limpo e elegante
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“Para reformar uma padaria, é preciso antes reformar a própria
cabeça, garante João Mendes Soares, sócio da Cruz de Aviz, na Vila
Mariana, que transformou totalmente a sua casa. "É preciso acreditar
no setor, no próprio negócio, ter coragem e muita disposição para o
trabalho", reforça.
A padaria, de 250 m parece maior desde a reinauguração,
em outubro de 2005, graças ao novo ambiente, com redistribuição dos
equipamentos, retirada de algumas prateleiras e a diminuição da
vitrine. "Chegamos a um visual mais limpo e elegante para satisfazer
os clientes, que estavam exigindo mais conforto”, diz.
Para decidir pelas mudanças, foi um mês de conversas
entre João e o sócio Valdeci Vieira de Souza. No entanto, não tinham
capital para investir, Contrataram uma empresa que deu orientação na
busca de recursos e assumiram o financiamento. "Conseguimos o
dinheiro na Caixa Econômica Federal, através do Finame, mas os juros
ainda estão muito altos", reclama.
A obra, que começou na produção, não interrompeu a
rotina. Ele reconhece que conseguiu manter o bom atendimento devido
ao apoio dos funcionários, que agora têm mais espaço, boa iluminação
e equipamentos adequados. Como resultado, eles mudaram a postura e
estão mais criativos. Os clientes também estão satisfeitos. "Eu
sempre me coloco no lugar do cliente. Gosto de ser bem tratado",
revela João.
Dois meses depois da conclusão da obra o movimento já
aumentou 15%. A dica do panificador é reinaugurar com promoções. "O
cliente não pode ter a impressão de que vai pagar mais caro só
porque a padaria foi reformada".
Aumentar a produtividade

A Chips investiu na reforma e no treinamento
Reformar não é só uma atitude para crescer, é uma
questão de sobrevivência. Para os irmãos Jorge, Antônio e Fernando
Ferreira, da Trigonela, em Pinheiros, melhorar o estilo, oferecer
mais produtos e diminuir custos foram os principais motivos. Nosso
objetivo é aumentar a demanda, porém, mantendo os custos. Por isso,
a primeira providência foi investir na instalação de uma cabine
primária, que reduzirá os gastos com energia em, pelo menos, 20%’,
diz Jorge.
Todos os novos equipamentos são em aço inoxidável. Para
aumentar a produtividade, um novo forno e uma laminadora foram
adquiridos. "Esta máquina vai ampliar a nossa capacidade de gerar
novos negócios.Com ela, será possível fornecer massa folhada e de
croissant para outros mercados", empolga-se. Computadores serão
instalados para consulta ao receituário e controle da produção.
Os funcionários também foram valorizados e ganharam
vestiários mais confortáveis, além de uma sala de treinamento com
projetor. A preocupação com os detalhes é visível: desde as
luminárias blindadas - para facilitar a limpeza e evitar danos
elétricos - até os rodapés sanitários, apropriados para não acumular
resíduos. Tudo para que a Trigonela, que está em prédio próprio há
20 anos, consiga se modernizar.
Com esta perspectiva, a segunda etapa deve avançar para
a loja, que vai ter mais espaço para refeições. Para o empresário,
estar aliado a um profissional especializado é importante, "desde
que ele seja bem orientado, já que é o dono quem conhece a rotina do
próprio negócio", diz. Além disso, ele acredita que uma pesquisa
para avaliar o fluxo de pessoas no bairro é essencial.
Para iniciar a empreitada, Antônio aconselha ter ao
menos 40% do valor total da obra, "O ideal é começar com
investimento próprio porque o financiamento bancário tem juros muito
altos", alerta. Outro aspecto fundamental é manter-se dentro da lei.
"Mudanças estruturais devem ser autorizadas formalmente pela
Prefeitura", informa.
Diversificar os produtos
A reforma da Pão do Parque, na Vila São Francisco no
Butantã, era um sonho antigo. Até a verba já estava reservada, mas
faltava espaço físico para crescer. Rubens Casselhas, proprietário e
diretor técnico do Sindipan, estava até disposto a mudar o local da
padaria. Mas conseguiu ficar ali mesmo, onde está há 10 anos. "A
notícia de que a farmácia ao lado iria fechar foi o pontapé inicial
para investir em um projeto. Contratei um arquiteto porque não
queria parar a produção", explica.
O primeiro passo foi reforçar a produtividade
instalando uma nova câmara fria e trocando os fornos antigos por
dois novos. "Durante a obra, incentivei os funcionários a fazerem
reciclagem com os cursos oferecidos pelo sindicato. Eles se
revezavam. É como sempre digo: não adianta trocar de roupa sem tomar
banho", brinca.
A Pão do Parque ampliou a área de vendas de 70 para 180
m aumentou a variedade de produtos e já expandiu o faturamento em
40%, superando as expectativas. Pubens tem algumas dicas. A primeira
é encontrar um arquiteto entusiasta, a segunda é ficar atento ao
projeto de iluminação. "O panificador também deve fazer vários
orçamentos e não comprar apenas de um fornecedor, No caso da
mão-de-obra, o melhor é escolher profissionais competentes. Se não
conhece nenhum, o arquiteto pode ser uma ótima ferramenta de
gestão", diz.
Investir nos funcionários

A Trigonela optou por equipamentos em aço inox
A padaria Chips, no município de Poá, também cresceu com a reforma,
O principal objetivo de Delcino Pedro dos Santos, proprietário e
diretor de marketing do Sindipan, era alavancar as vendas. A obra
era necessária para oferecer mais conforto e conquistar novos
clientes, "Conseguimos ampliar porque tivemos a felicidade de
adquirir outro imóvel, ao lado da Chips. Só a loja, cresceu de 88
para 240 m. Já a produção, de 95 para 220 m comemora.
O trabalho começou em março de 2005 e todos os
equipamentos já foram instalados em aço inoxidável. Desde o início,
dois profissionais estiveram envolvidos no projeto. Primeiro, um
arquiteto fez o estudo inicial. Agora, outro orienta nos
acabamentos. "Os dois me deram ótimas sugestões. Tudo o que foi pago
para eles evitou desperdício de material".
Segundo o panificador, a mão-de-obra envolvida na reforma não deve
entrar em contato com a produção, mesmo em casas pequenas. O
arquiteto deve planejar esta opção, criando uma passagem à parte. É
por este e outros detalhes que Delcino acredita que o arquiteto
contratado necessita ter experiência na área de alimentação.
O panificador também concorda que a reforma sempre deve
incluir a qualificação dos profissionais. "O período é adequado para
a reciclagem dos funcionários e os cursos do sindicato foram uma boa
alternativa", declara.
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A Opinião
dos arquitetos |
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Com 20
anos de experiência, Patrícia Valentim, sócia da Andrade
Valentim Arquitetura & Construções, já identificou
alguns equívocos em relação à falta de conhecimento do
panificador sobre o que é um projeto arquitetônico.
"Seja para construir ou reformar, o principal erro é
ouvir conselhos de vendedores de balcão de
refrigeração". Para ela, a experiência de um arquiteto é
fundamental porque só um profissional qualificado tem
conhecimento para discorrer sobre conceito,
especificações de materiais, plantas de iluminação,
pontos de hidráulica e elétrica, até detalhar peças e
elementos decorativos. Caso um projeto seja aprovado, é
necessário contratar um bom gerenciador de obras, que
pode ser o próprio arquiteto ou um engenheiro que
execute as mudanças estruturais no imóvel. Ela esclarece
que não é preciso radicalizar para garantir o sucesso de
uma reforma. "Uma pintura, uma mudança na iluminação e a
criação de um deck com mesas, gerou para o meu cliente
um aumento de 40%", comenta.
Para Jonas Marins, do Espaço do Varejo Escritório de
Arquitetura, o mais importante em um projeto é garantir
a eficiência na exposição dos produtos. Ele explica que,
mesmo em uma padaria, é preciso construir uma atmosfera
e uma estética que leve |
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o
cliente a sentir-se bem. Portanto, para ampliar o
negócio, o projeto deve estimular os sentidos e
despertar o desejo de consumo. "O cliente deve sentir o
cheiro dos pães e enxergar as camadas do pão-de-ló sendo
recheadas. A produção envidraçada tem sido uma tendência
porque gera a compra por impulso", diz.
Emerson Húngaro, da B2H Arquitetos, acredita que um bom
projeto é resultado do diálogo entre o profissional e o
panificador, aliando a experiência do dono com a
capacidade técnica do arquiteto.
Antes de conceituar um projeto também é imprescindível
uma análise sobre a demanda. "Há bairros que pedem mais
requinte, outros não. No entanto, a sofisticação não
quer dizer, necessariamente, uso de materiais caros. É
possível ter bom gosto com baixo investimento, com a
aplicação de materiais padronizados. O que importa é
construir um ambiente leve e o mais limpo possível",
diz. Além da importância da cor, da circulação de ar,
ele destaca o uso de luzes amarelas em alguns pontos
para proporcionar aconchego. No entanto, o fundamental é
estar atento à distribuição entre os setores. Para o
arquiteto, um projeto deve considerar o fluxo para
garantir conforto até mesmo em horários de pico. |
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