HÓSTIA TEM QUE CONTER GLÚTEN

Hóstia tem de conter glúten, diz carta da Igreja enviada a bispos

Quantidade pode ser mínima, mas não zero; farinha geneticamente modificada é permitida.

Em uma circular dirigida a todos os bispos, a Igreja católica informou que a hóstia utilizada nas missas pode até ser feita com farinha geneticamente modificada, mas não sem glúten – proteína vegetal encontrada no trigo que, no organismo de pessoas sensíveis, pode provocar reações, entre elas diarreia, flatulência e fadigas.

Assinado pelo cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o documento é datado de 15 de junho, mas só chamou a atenção no último sábado (8), quando foi noticiado pela Rádio Vaticano.

De acordo com a diretriz, “até recentemente, eram algumas comunidades religiosas que cuidavam de assar o pão e fazer o vinho usado na celebração da eucaristia”. “Agora, porém, esses ingredientes são “vendidos também em supermercados e por meio da internet”.

Na missiva, o cardeal pede que os religiosos garantam o “respeito absoluto” das normas católicas por parte dos produtores.

Na tradição católica, o pão e o vinho se convertem no corpo de Cristo durante a celebração da missa, mas a transformação só ocorreria com produtos feitos segundo regras eclesiásticas.

O pão deve ser sem levedura, feito apenas de farinha e trigo. Qualquer outro cereal só é tolerado em proporções mínimas, e o acréscimo de outros produtos, como frutas, açúcar ou mel é considerado um “abuso grave”.

Por outro lado, o Vaticano decidiu que “a eucaristia preparada com organismos geneticamente modificados pode ser considerada válida” diz a carta.

A igreja permite também hóstias com baixo teor de glúten, “desde que contenham uma quantidade suficiente de glúten para obter a confecção do pão sem a adição de materiais estranhos e sem o uso de procedimentos que alteram a natureza do pão”. Essa determinação está em outra diretriz, de 2003, que a igreja agora reafirma.

Ao menos nos EUA, a conferência de Bispos Católicos determinou que os fiéis com doença celíaca (intolerância ao glúten) podem receber apenas vinho nas missas.

Sobre o vinho, aliás, a diretriz afirma que só deve proceder da uva, “do fruto da vida, puro e sem corrupção”, e os sacerdotes tem de conservá-lo em perfeito estado. O mosto – suco da uva cuja fermentação é suspensa antes de alcançar os níveis de álcool do vinho comum – também está permitido.

 

Fonte: Folha de São Paulo, caderno mundo de 11/07/2017