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TRIGO: Foco do mercado nacional é o plantio da nova safra -

Os moinhos estão abastecidos e sem necessidade de compra imediata. Na outra ponta, os produtores estão mais interessados no acompanhamento das lavouras da safra nova que na realização de negócios nos atuais patamares. Diante deste cenário, os negócios reportados são pontuais, com cotações oscilando em função da qualidade do produto, de R$ 420,00/t a R$ 440,00/t no Paraná e de R$ 380,00 até R$ 420,00 por tonelada no Rio Grande do Sul.


O mercado segue sem espaço para grandes recuperações. Neste momento se observa uma mais firmeza no âmbito externo, (motivada pela redução de área no Canadá). Porém, ao mesmo tempo o dólar voltou a operar abaixo de R$ 1,80, anulando eventuais reflexos sobre o mercado interno. Moinhos estão abastecidos e não tem "argumento" para elevar o preço da farinha. "Por tudo isso, em condições normais de mercado, não tem espaço para elevar os preços", aponta o analista de SAFRAS & Mercado, Elcio Bento.


Uma eventual elevação das cotações, diante do movimento das variáveis formadoras de preços, depende de uma ação do governo. Nesta sexta a CAMEX decidirá se eleva a TEC para os EUA, ainda em relação à retaliação aos subsídios ao algodão, ou posterga para 2012. Além disso, o setor pede a elevação da TEC para todas as origens extra-Mercosul de 10 para 35%. Isso seria um argumento para os agentes elevarem os patamares de preços. Os moinhos estão abastecidos, mas, de qualquer forma, com a escassez do cereal no Mercosul existiria um argumento para a elevação da farinha e do grão.

 


Por outro lado, esta elevação dos patamares de preços do grão e da farinha do Brasil, abriria a porteira para compra de farinha argentina, que já tem uma diferença favorável de 5% nos impostos de exportação na Argentina em relação ao grão. "É claro também que a Argentina não pode abastecer todo o mercado brasileiro com sua farinha e, com uma demanda mais forte por parte do Brasil, os argentinos elevariam seus preços origem", ressalta Bento. Então, a TEC, seria um motivo (mesmo que psicológico) para mudar os patamares de preços no mercado brasileiro.

 


Enquanto aguardam novidades que podem influenciar na comercialização do cereal, os produtores seguem focados no plantio e acompanhando o desenvolvimento da safra nova. No Paraná, 80% da área prevista já foram semeados em condições climáticas favoráveis. O temor agora fica por conta da possibilidade de geadas em meados de julho, período em que a maioria das lavouras estará em fase de florescimento. De acordo com as estimativas do Deral, apesar de uma queda de 15,2% na área plantada, no estado, a produção no período 2010/2011 seja 16,3% maior, chegando a 2,95 milhões de toneladas, perto dos 3,07 milhões produzidos há dois anos, mas menor que a estimativa do mês passado. De acordo com a Somar meteorologia mesmo com a ausência de chuvas os solos continuam apresentando boa capacidade hídrica, o que está favorecendo também o desenvolvimento das lavouras de um modo geral. Como a umidade do ar está baixa não estão ocorrendo doenças que possam prejudicar o rendimento das plantas. Assim as estimativas preliminares de produtividade continuam excelentes, com valores superiores a 2.400 kg/ha. Como há previsão de ocorrência de chuvas para os próximos 10 dias, a umidade do solo continuará elevada, dando totais condições às plantas se desenvolverem normalmente.

 

Por outro lado, essas chuvas poderão atrapalhar a finalização do plantio, mas os prejuízos ficaram somente em relação ao atraso da semeadura, já que mesmo com esse atraso, essas novas lavouras encontrarão condições extremamente favoráveis ao seu desenvolvimento ao longo do seu ciclo. Segundo os modelos de previsão da Somar, não há riscos de ocorrência de geadas nos próximos 15 dias que possam causar danos às plantações de trigo em todo o território paranaense.


As boas condições meteorológicas, de acordo com a Somar Meteorologia, ajudaram os produtores a avançar nos trabalhos de plantio. Com isso, o atraso de 20 pontos percentuais em relação ao plantio dos anos anteriores caiu para 5 pontos, saindo dos anteriores 10% para os atuais 30%.

 

As temperaturas têm ajudado na germinação e no desenvolvimento das plantas, uma vez que essas têm oscilado entre 12° e 15º C de média. A não ocorrência de geadas também tem contribuído para que os produtores avancem nos trabalhos de plantio, apesar de que, a estimativa para essa safra continua sendo de redução de área. Entretanto, as previsões de ocorrências de chuvas entre os dias 15 e 19 poderão paralisar os trabalhos de plantio, podendo em alguns momentos inviabilizá-los. Contudo, o que mais preocupa não é a previsão de chuva, mais a massa de ar polar que avança sobre o estado entre os dias 21 e 22, fazendo com que as temperaturas cheguem à casa dos 0°C, o que poderá trazer geadas às lavouras de trigo.


Fonte: Safras & Mercado - DCI - 21/06/2010

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