Quando se pensa na alta do dólar e na desvalorização do real, imagina-se que os produtos importados serão os primeiros da lista de reajustes. Na prática, itens básicos da alimentação dos brasileiros como os derivados de trigo e o feijão preto figuram no topo da tabela de remarcação de preços quando comparados com outros produtos estrangeiros das prateleiras, como azeite de oliva.
De acordo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Cláudio Zanão, os moinhos informaram que a farinha de trigo terá aumento de 20% até o fim deste mês. Com a alteração, o setor de massas alimentícias estima que vá repassar 15%. "Queremos postergar o aumento ao máximo, não sendo possível, eles serão escalonados", diz Zanão.
Este não foi um ano tranqüilo para a cadeia do trigo. No fun do ano passado, o setor passou por uma crise de abastecimento mundial que, no Brasil, representou ações do governo para evitar desabastecimento e au-mentos desordenados. As medidas de isenção tarifária de importação e transporte foram praticamente anuladas diante da atual crise financeira.
0 pão francos, por exemplo, foi reajustado em mais de 25% no primeiro semestre e começou a dar sinais de recuo quando tudo veio abaixo inesperadamente. "Quem está na ponta da cadeia, direto com o consumidor, não pode mexer no preço imediatamente", diz Alexandre Pereira, da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip). "Achamos que a flutuação é momentânea, vamos esperar mais", garante.
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Nesta semana, o valor do feijão preto importado aumentou cerca de 10% no atacado, de acordo com Marcelo Eduardo Lüders, da corretora Correpar. "A comercialização ficou mais parada nos últimos dias e não deve mudar nos próximos, em função da incerteza", diz. Para ele, o repasse ainda foi muito pequeno comparado com o acumulado de 43% da valorização do dólar e, mesmo quem tem estoque está cm apuros. "Importadores deixaram para fechar o câmbio na semana que vem, na expectativa que o dólar dê uma trégua. Quem tem mercadoria em estoque também fica preocupado quando precisar repor", descreve Lüders.
Delicatessen
As mercadorias estocadas podem ser o fôlego que vai garantir tranqüilidade nas lojas La Palma, de Rogério Muniz. "Por enquanto não senti qualquer diferença, só ameaças como no tempo em que se vivia de especular a inflação", comenta Muniz. E justifica a calma. "0 comércio internacional é feito de acordos, os contêineres para abastecer até o fim do ano já estão fechados e com preços antigos", diz Rogério. Na distribuidora Santo Amaro, o setor comercial agiliza os contatos com fornecedores para quando o estoque acabar. "Ainda temos um bom estoque e adiamos as compras", pondera Daniel Soares, responsável pelo marketing.
Fonte: Correio Braziliense - DF