Enquanto houver estoque de farinha de trigo no Moinho Sergipe e na Bunge Alimentos, empresas responsáveis pelo abastecimento do produto no estado, o preço do pão não sofrerá reajustes por conta da alta do dólar. É o que disse o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado de Sergipe, Antônio Carlos Araújo. “A farinha de trigo teve uma redução de valor no mês de agosto e o preço do pão se estabilizou. Agora teve um novo aumento, mas acho que até o final do ano não deve subir mais, porque há estoques da farinha de trigo nas empresas distribuidoras. Só se o negócio estourar demais. Mas torço para que não seja preciso aumentar o preço do pão”, disse.
Ele informou ainda que o preço do pãozinho passou por alterações desde o início do ano até agosto, por causa da crise do trigo no Brasil. “Tivemos meses que o reajuste da farinha de trigo chegou a 100%. Se pesou 50% no faturamento da despesa os panificadores reajustaram o pão de 10% a 30%. Mas não passou disso. Tanto que no mês passado o preço da farinha baixou, aí veio à pergunta se o preço do pão não ia baixar. Alguns reduziram, mas outros não porque não repassaram o valor do trigo para o pão”, comentou.
No entanto, segundo o economista Luiz Moura, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), os sergipanos devem se preparar para as surpresas previstas para o final do ano. Isso porque a crise do dólar, que passou de R$ 1,55 em agosto, para R$ 2,30 até ontem, vai refletir diretamente no preço dos produtos importados. Com isso, o vinho, algumas massas, queijos, nozes, passas, chocolates, entre outros que fazem parte da composição da ceia natalina, tendem a aumentar.
“Se permanecer o salto, porque está uma gangorra, teremos prejuízos na ceia de natal, com os importados mais caros. Até os produtos que nós exportamos como carne, óleo de soja e açúcar, também podem ter o preço aumentado”, informou, acrescentando que isso pode ser bom para os exportadores porque vão receber em dólar, que está mais caro. “Mas tem o problema da falta de crédito por falta de financiamento. Então há uma expectativa muito grande. Nesse cenário não dá para ter uma previsão. Tanto às exportações, quanto as importações podem ter alta se continuar assim”, ponderou.
No Dia das Crianças, como é uma data mais próxima, o consumidor pode não sentir os reflexos da crise por causa dos estoques. “Se o consumidor vê que está mais caro é só não comprar porque se houver aumento agora é pela especulação”, alertou Luiz Moura. Quanto ao pãozinho, ele explicou que o reajuste do preço vai depender do custo do trigo que o Brasil importar. “Vai depender do valor do dólar e do preço do produto lá fora”, afirmou. No entanto, Moura deixou claro que se houver aumento não será agora. “Quando o dólar esteve a R$ 1,55 não houve queda imediata do preço também. É bom que se frise isso”, lembrou.
Fonte: Comércio de Franca - Franca, SP